Quem lasca um dente deve, primeiro, manter a calma e evitar mastigar do lado afetado, enxaguar a boca com água e guardar o fragmento, se ele for encontrado, dentro de um recipiente com leite ou saliva. Em seguida, o passo mais importante é procurar avaliação odontológica o quanto antes, mesmo que não haja dor, porque só o exame clínico mostra se a lasca atingiu apenas o esmalte ou se chegou a camadas mais internas do dente.
Um dente pode lascar por uma queda, uma mordida em algo duro, um acidente esportivo ou, com mais frequência do que se imagina, por um desgaste acumulado que já tinha fragilizado aquela borda. O Dr. Ricardo Campedelli, CRO-SP 20177, reúne aqui a conduta imediata e as opções de tratamento definitivo mais comuns para esse tipo de situação.
O que fazer nos primeiros minutos
Antes de qualquer outra providência, vale lembrar que o pânico raramente ajuda: a maioria dos casos de dente lascado tem solução, e agir com calma nos primeiros minutos facilita tanto o conforto imediato quanto o trabalho do profissional na consulta seguinte.
- Enxaguar a boca com água limpa, em temperatura ambiente, para remover fragmentos soltos.
- Procurar e guardar o pedaço do dente, se ele for encontrado, dentro de um pote com leite ou saliva.
- Aplicar uma compressa fria no rosto, próximo à região, caso haja inchaço.
- Evitar mastigar do lado afetado até a avaliação profissional.
- Cobrir uma borda cortante com cera ortodôntica ou um pedaço de gaze, caso esteja machucando a língua ou o lábio.
- Evitar bebidas muito quentes ou muito frias, que costumam intensificar o desconforto.
Nenhuma dessas medidas substitui a avaliação clínica. Elas servem para reduzir o desconforto e proteger o dente até a consulta, que deve acontecer o quanto antes, idealmente no mesmo dia ou no dia seguinte.
Por que a avaliação rápida importa, mesmo sem dor
Nem toda lasca dói. Um fragmento pequeno, restrito ao esmalte, muitas vezes não causa sintoma nenhum. Ainda assim, vale examinar o dente, porque uma fratura pode se estender além do que é visível a olho nu, comprometer a estrutura de sustentação ou deixar uma borda que corta a língua e a bochecha repetidamente. Adiar a avaliação também aumenta o risco de a trinca se espalhar com o uso normal da mastigação.
Por que alguns dentes lascam com mais facilidade
Dentes que já têm esmalte enfraquecido por cárie antiga, restaurações extensas ou desgaste acumulado tendem a lascar com mais facilidade do que dentes íntegros, mesmo diante do mesmo tipo de impacto. Dentes que já passaram por tratamento de canal também costumam ficar mais frágeis, porque perdem parte da estrutura interna que dá suporte ao esmalte.
Uma mordida desalinhada, com um ou mais dentes recebendo carga fora do previsto durante a mastigação, também aumenta esse risco ao longo do tempo. É outro motivo pelo qual a avaliação de um dente lascado costuma incluir uma análise da mordida como um todo, não só do ponto da fratura.
Como o tamanho da lasca define o tratamento
O plano de tratamento muda conforme a profundidade atingida pela fratura. De forma geral, quanto mais perto do centro do dente a lasca chegar, mais complexa tende a ser a solução:
Lascas pequenas, restritas ao esmalte
Quando o dano é superficial, o tratamento costuma ser simples: um recontorno para suavizar a borda ou uma pequena restauração de resina, feita na cor do dente, resolvem a maior parte desses casos em uma única sessão. O texto sobre recontorno estético do esmalte explica até onde esse ajuste conservador consegue chegar.
Lascas que atingem a dentina
Quando a fratura passa do esmalte e alcança a dentina, a camada logo abaixo, o dente costuma ficar mais sensível ao frio e ao ar. Nesses casos, a restauração precisa de mais espessura de material e, às vezes, de uma proteção adicional sobre a área mais próxima da polpa, o tecido interno do dente onde ficam os nervos e vasos.
Lascas que expõem a polpa
Quando a fratura é extensa o suficiente para expor a polpa, visível como um ponto avermelhado ou com sangramento no centro do dente, o tratamento costuma envolver avaliação endodôntica, já que a estrutura interna do dente foi atingida. Esse cenário costuma vir acompanhado de dor mais intensa e exige atendimento prioritário.
Dente lascado durante o tratamento ortodôntico
Quem está em tratamento com alinhadores ou aparelho fixo e lasca um dente deve avisar o consultório antes de qualquer outra decisão. Se o dente afetado tiver um attachment colado ou estiver próximo a um braquete, o reparo pode precisar ser combinado com o ortodontista, para não interromper a sequência de movimentos já planejada. Em alguns casos, o alinhador em uso continua servindo normalmente depois do reparo; em outros, é necessário um ajuste pontual no plano. Para entender a rotina desse tratamento, veja como funciona o tratamento com alinhadores.
Se a lasca deixar uma borda áspera que machuca a bochecha ou a língua, cera ortodôntica pode ser usada como alívio temporário até a consulta, da mesma forma que já é usada para pontas de fio ou braquete que incomodam durante o tratamento.
Prevenção reduz o risco, mas não o afasta por completo
Alguns hábitos ajudam a reduzir a chance de lascar um dente: evitar morder objetos duros, como gelo, caroços e tampas de garrafa; usar protetor bucal em esportes de contato; e tratar o bruxismo quando ele já é conhecido, já que dentes desgastados por apertamento ficam mais frágeis nas bordas. Vale observar também os próprios hábitos à mesa: morder ossos de azeitona, sementes duras ou embalagens plásticas com os dentes da frente é uma causa frequente de lascas evitáveis, mesmo em dentes sem nenhum enfraquecimento prévio. Nenhuma dessas medidas evita por completo o risco de lascar um dente, mas todas ajudam a reduzir a frequência e a gravidade dos episódios.
Quando procurar atendimento com urgência
Procure atendimento o quanto antes se, além da lasca, você notar sangramento na polpa do dente, dor espontânea e persistente, sensibilidade intensa ao respirar pela boca, mobilidade do dente afetado ou inchaço na gengiva próxima. Esses sinais indicam que a estrutura interna do dente pode ter sido comprometida, e quanto mais cedo o dente é avaliado, maiores costumam ser as chances de um tratamento mais conservador. Escurecimento do dente afetado nos dias ou semanas seguintes ao episódio também merece atenção, porque pode indicar comprometimento interno mesmo sem sintoma imediato de dor.
Um dente lascado tem solução na maioria dos casos, mas o tratamento indicado depende do tamanho e da profundidade da fratura. No consultório do Gonzaga, em Santos, o Dr. Ricardo Campedelli avalia o dente afetado e orienta a conduta mais adequada, inclusive quando o episódio acontece durante um tratamento ortodôntico em andamento. Agende uma avaliação pela página de contato do consultório.