Os dentes entortam por uma combinação de fatores genéticos, hábitos de infância e mudanças que acontecem naturalmente ao longo da vida. A genética define, em boa parte, o tamanho dos dentes e dos ossos da face, os hábitos podem alterar a posição dos dentes durante o desenvolvimento, e o tempo, sozinho, também move os dentes aos poucos, mesmo depois da fase de crescimento.
O Dr. Ricardo Campedelli (CRO-SP 20177), ortodontista com mais de 40 anos de experiência clínica, reúne neste texto os principais fatores por trás do desalinhamento dos dentes, da herança genética aos hábitos da infância, passando pelo processo natural de mudança da arcada com o avanço da idade.
O papel da genética na posição dos dentes
Boa parte do desalinhamento dentário tem origem genética. Os pais transmitem aos filhos características como o tamanho dos dentes, o formato dos ossos da face e a proporção entre o maxilar e a mandíbula. Quando o tamanho dos dentes não combina com o tamanho disponível na arcada, o resultado costuma ser apinhamento, espaçamento excessivo ou uma mordida que não fecha de forma equilibrada.
É comum um filho apresentar um padrão de arcada parecido com o de um dos pais, mesmo sem nenhum hábito que explique o quadro. Esse componente hereditário está detalhado no texto sobre apinhamento dentário.
Vale destacar que a genética não define apenas o tamanho dos dentes de forma isolada. Ela também influencia o formato do arco dentário, a espessura do osso que sustenta os dentes e até a época em que cada dente costuma nascer, fatores que juntos moldam o resultado final observado na arcada de cada pessoa.
Hábitos que influenciam o alinhamento
Sucção de dedo e chupeta
Hábitos de sucção prolongada aplicam força repetida sobre os dentes da frente e podem alterar o formato da arcada superior, especialmente quando persistem além da idade em que costumam desaparecer sozinhos. Quanto mais tempo o hábito continua, maior tende a ser o efeito sobre a posição dos dentes.
Respiração pela boca
A respiração predominantemente pela boca muda a postura da língua e dos lábios, dois elementos que ajudam a equilibrar a posição dos dentes ao longo do crescimento. Esse padrão respiratório está associado a arcadas mais estreitas e a dentes de frente mais projetados.
Postura de língua
A língua aplica força o tempo todo, em repouso e ao engolir. Quando ela se posiciona de forma diferente do esperado, empurrando os dentes em vez de se apoiar no céu da boca, essa força constante pode contribuir tanto para o desalinhamento inicial quanto para o retorno de um desalinhamento já tratado.
Outros hábitos que somam carga aos dentes
Morder objetos, canetas ou unhas com frequência também entra na lista de hábitos que influenciam a posição dos dentes ao longo do tempo. Cada mordida nesses objetos aplica uma força pequena, mas repetida centenas de vezes, sobre pontos específicos da arcada, o que pode contribuir para pequenos desvios, principalmente nos dentes da frente, que ficam mais expostos a esse tipo de contato.
Por que os dentes continuam se movendo com o tempo
Mesmo sem hábitos ou tratamento nenhum, os dentes não ficam parados a vida toda. Existe um movimento natural, lento e contínuo, chamado de deriva mesial, em que os dentes tendem a se deslocar levemente para frente ao longo dos anos. Esse processo, somado ao desgaste natural entre os dentes vizinhos, explica por que arcadas antes alinhadas podem apresentar apinhamento leve na vida adulta, mesmo sem nenhuma causa aparente.
É por isso que uma arcada alinhada na adolescência pode, décadas depois, apresentar sobreposição nos dentes da frente. Esse fenômeno é abordado com mais detalhes no texto sobre por que os dentes voltam a entortar.
O desgaste natural entre um dente e o vizinho, que acontece aos poucos ao longo de décadas de contato durante a mastigação, também reduz ligeiramente a largura de cada dente. Como a arcada como um todo não aumenta de tamanho na vida adulta, essa pequena redução se traduz em um espaço extra que os dentes tendem a ocupar deslizando para frente, reforçando o mesmo processo de apinhamento leve descrito acima.
Perda de dentes e migração dos vizinhos
Quando um dente é perdido e o espaço não é reabilitado, os dentes vizinhos tendem a se inclinar na direção do vazio, e o dente da arcada oposta pode se alongar em direção ao espaço, processo chamado de extrusão. Essa movimentação, embora lenta, muda a mordida como um todo e pode gerar apinhamento em outras regiões da arcada, mesmo distantes do dente perdido.
A mordida também muda de forma natural ao longo da vida, mesmo sem perdas dentárias, um processo influenciado pelo desgaste, pelo osso e pelos tecidos de suporte ao redor dos dentes, tratado com mais profundidade no texto sobre por que a mordida muda com a idade.
A saúde da gengiva e do osso ao redor das raízes também interfere nesse processo. Quando há perda de suporte periodontal, os dentes ficam mais sujeitos a se movimentar sob a força normal da mastigação e da língua, mesmo sem nenhum hábito adicional envolvido. Por isso, cuidar da gengiva ao longo da vida também é, indiretamente, uma forma de ajudar a manter os dentes na posição.
Fatores que costumam acelerar o desalinhamento
Alguns fatores tendem a acelerar ou acentuar o processo de desalinhamento:
- Perda de um dente sem reabilitação do espaço.
- Bruxismo, que desgasta os dentes de forma desigual.
- Doença periodontal, que reduz o suporte ósseo ao redor dos dentes.
- Hábitos como morder objetos, canetas ou unhas.
- Ausência de contenção depois de um tratamento ortodôntico anterior.
- Postura de língua alterada, mantida por muitos anos sem correção.
Nenhum desses fatores age isolado na maioria dos casos. Eles costumam se somar ao longo do tempo, o que torna a avaliação periódica útil mesmo para quem nunca fez tratamento ortodôntico.
Quando procurar avaliação
Vale procurar avaliação quando o desalinhamento é perceptível, quando os dentes parecem estar mudando de posição de um ano para o outro, quando há dificuldade nova para higienizar entre os dentes, ou quando um dente foi perdido e ainda não foi reabilitado. Adultos que nunca fizeram tratamento ortodôntico também podem se beneficiar de uma avaliação, especialmente se notam mudanças na arcada com o passar dos anos.
A avaliação combina exame clínico, fotos e, quando necessário, radiografias, para diferenciar um desalinhamento estável de um processo ainda em andamento, que tende a piorar se não for tratado. Para quem já passou por um tratamento antes, o texto sobre tratamento ortodôntico em adultos explica como a avaliação costuma ser conduzida nessa fase da vida.
Se você percebe que os seus dentes estão entortando, seja pela primeira vez, seja depois de um tratamento antigo, vale entender a causa antes de decidir o que fazer. Agende uma avaliação com o Dr. Ricardo Campedelli no consultório do Gonzaga, em Santos, pela página de contato.