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RC Dr. Ricardo CampedelliOrtodontista · CRO-SP 20177

Elásticos ortodônticos: para que servem e como usar

Escrito e revisado por Dr. Ricardo Campedelli, CRO-SP 20177

Os elásticos ortodônticos são pequenos anéis de borracha que o paciente prende entre a arcada de cima e a de baixo durante o tratamento. O aparelho, fixo ou removível, movimenta os dentes dentro de cada arcada. Os elásticos fazem outra coisa: aplicam força entre as duas arcadas e corrigem a maneira como os dentes de cima encaixam nos de baixo. Sem essa força, boa parte das más oclusões não se resolve, mesmo quando o alinhamento visto de frente já parece bom.

E aqui está o ponto que costuma decidir o tratamento: quem coloca o elástico é o paciente, não o ortodontista. O aparelho fixo trabalha sozinho o tempo todo. O elástico só trabalha nas horas em que está na boca. Por isso o uso irregular está entre as causas mais frequentes de tratamento que se arrasta, de resultado incompleto e de plano que precisa ser revisto no meio do caminho. Este texto explica para que servem, quando costumam ser indicados e como usar no dia a dia.

O que são os elásticos ortodônticos

Tecnicamente, são elásticos de uso intermaxilar: ligam um ponto da arcada superior a um ponto da arcada inferior. No aparelho fixo, prendem-se em ganchos que fazem parte dos braquetes ou das bandas. Com alinhadores transparentes, costumam se prender em botões colados no dente ou em recortes feitos na própria placa.

São fabricados em látex e também em material sintético, para quem tem alergia. Vêm em diâmetros e forças diferentes, e cada combinação entrega uma tração distinta. O ortodontista escolhe o modelo, o ponto de fixação de cada lado e o tempo de uso de acordo com o movimento que precisa obter. Trocar por conta própria por um elástico mais forte não acelera o tratamento. Na prática, pode inclinar dentes de forma indesejada e sobrecarregar a articulação da mandíbula.

Elásticos de amarração e elásticos intermaxilares não são a mesma coisa

Muita gente chama de elástico as borrachinhas coloridas do aparelho fixo. Elas são ligaduras elásticas: prendem o fio ao braquete e ficam ali até a próxima manutenção. Quem coloca e troca é o ortodontista, e o paciente não mexe nelas.

Os elásticos intermaxilares são outra categoria. Ficam visíveis do lado de fora, são descartáveis e o paciente coloca e retira várias vezes ao dia. Quando o ortodontista fala em colaboração, é destes que se trata. A confusão entre os dois leva muita gente a achar que não há nada a fazer em casa além de escovar os dentes.

Quando o ortodontista costuma indicar o uso

Nem todo caso precisa. A indicação aparece principalmente quando existe desajuste entre as arcadas, e não apenas dentes desalinhados. As situações mais frequentes são estas:

  • Má oclusão de Classe II: a arcada inferior fica recuada em relação à superior, o que costuma dar o aspecto de dentes da frente projetados.
  • Má oclusão de Classe III: a relação é inversa, com a arcada inferior posicionada à frente.
  • Mordida aberta: os dentes da frente não se tocam quando os de trás encostam, e elásticos verticais podem ajudar a fechar esse vão.
  • Mordida cruzada: dentes de baixo mordendo por fora dos de cima em algum ponto do arco, situação em que entram os chamados elásticos cruzados.
  • Linha média desviada: o meio dos dentes de cima não coincide com o meio dos de baixo.
  • Fechamento de espaços: depois de extrações ou em casos com diastemas, sempre em conjunto com os outros recursos do aparelho.

Em parte dos casos o uso só começa alguns meses depois do início, quando o alinhamento já permite. Em outros, começa cedo. A definição faz parte do plano montado na avaliação inicial, e o passo a passo do tratamento está descrito em como funciona o tratamento.

Por que a colaboração do paciente decide o resultado

A movimentação dentária depende de força leve e contínua: o osso ao redor da raiz precisa de horas seguidas de estímulo para se remodelar e permitir que o dente mude de posição. Quando o elástico fica na boca poucas horas por dia, ou entra e sai o tempo todo, o dente recebe o estímulo, começa a se mover e depois retorna. O saldo tende a ficar perto de zero, com desconforto e sem progresso.

Por isso, uso parcial costuma não entregar resultado parcial. O ganho não acompanha as horas de forma proporcional: abaixo do tempo combinado, o tecido em geral não completa o ciclo de remodelação, e o pouco que se conquista tende a se perder no intervalo. As consequências práticas do uso irregular costumam ser estas:

  • O tratamento se estende por meses além do previsto.
  • A sensibilidade recomeça a cada retomada, porque o corpo perde a adaptação já conquistada.
  • Etapas seguintes ficam travadas, já que muitos movimentos só podem começar depois que o encaixe entre as arcadas está resolvido.
  • Com alinhadores, a sequência de placas deixa de encaixar como planejado e pode ser preciso revisar parte do plano.

Qualquer prazo médio de tratamento parte do pressuposto de que o paciente segue as orientações combinadas. Sobre isso, o texto quanto tempo dura o tratamento traz o panorama completo.

Como usar os elásticos ortodônticos no dia a dia

As orientações mudam conforme o caso, e quem define é o ortodontista que acompanha você. Ainda assim, alguns pontos se repetem:

  • Tempo de uso: costuma ser o dia inteiro e a noite, retirando apenas para comer e para escovar os dentes. Usar somente para dormir raramente resolve.
  • Troca: o elástico perde força depois de algumas horas na boca. A recomendação usual é trocar ao menos uma vez por dia, e sempre que ele afrouxar ou romper.
  • Posição: fotografe ou anote o esquema de ganchos ainda na consulta. Mudar o ponto de fixação altera a direção da força, e o efeito deixa de ser o planejado.
  • Quantidade: um de cada lado, salvo orientação diferente. Dobrar elásticos para acelerar é um erro comum e não funciona assim.
  • Reserva: mantenha pacotes extras na bolsa, na mochila e no trabalho. Dias seguidos sem elástico costumam comprometer o avanço do mês.
  • Higiene: mãos limpas para colocar, e nada de reaproveitar o elástico do dia anterior.

Nos primeiros dias é esperado sentir os dentes sensíveis e a musculatura da mastigação cansada. Na maioria dos casos, o incômodo costuma ceder em poucos dias, à medida que o corpo se adapta. Se a dor for intensa, não passar ou vier acompanhada de estalos e travamento ao abrir a boca, avise o consultório antes da próxima manutenção.

Elásticos com aparelho fixo e com alinhadores transparentes

No aparelho fixo, os ganchos já fazem parte da estrutura colada nos dentes, e o elástico é encaixado direto neles.

Com alinhadores transparentes, o princípio é o mesmo e muda apenas a fixação: pequenos botões colados no esmalte ou recortes planejados na borda da placa. Um detalhe gera dúvida com frequência: o elástico é usado junto com o alinhador, e não no lugar dele. As horas de uso da placa continuam valendo, e a elas se somam as horas de uso do elástico. Um recurso não substitui o outro, e o ortodontista avalia caso a caso qual arranjo faz sentido.

Nos dois formatos, o fim do uso não é decidido pelo paciente. O ortodontista confere o encaixe, a linha média e a estabilidade do que foi obtido antes de suspender os elásticos, e essa checagem faz parte das consultas de acompanhamento. Interromper por conta própria porque a mordida já parece boa é uma das origens da recidiva.

Avaliação presencial no Gonzaga, em Santos

Cada mordida tem uma origem diferente, e o esquema de elásticos que funciona bem em um caso pode ser inadequado em outro. Por isso, a conduta vem sempre do exame clínico, das imagens e do plano montado para aquela pessoa.

O Dr. Ricardo Campedelli é ortodontista, CRO-SP 20177, formado pela Universidade de Uberaba, com mais de 40 anos de experiência e mais de 100 certificados na área. O consultório fica na Av. Ana Costa 493, no Gonzaga, em Santos, com atendimento exclusivamente particular, sem convênios. Se você usa elásticos e quer entender qual é a conduta indicada para a sua mordida, agende uma avaliação presencial pela página de contato, com atendimento apenas por WhatsApp.

Dúvidas

Perguntas frequentes

Para que servem os elásticos ortodônticos?

Eles aplicam força entre a arcada de cima e a de baixo para corrigir o encaixe entre elas. O aparelho movimenta os dentes dentro de cada arcada; os elásticos ajustam a relação entre as duas. São usados sobretudo em más oclusões de Classe II e Classe III, mordida aberta, mordida cruzada e desvio de linha média. O ortodontista avalia se o seu caso precisa deles.

Quantas horas por dia preciso usar os elásticos ortodônticos?

Na maioria dos casos, a orientação é usar o dia inteiro e a noite, retirando apenas para comer e escovar os dentes. Usar somente para dormir costuma não ser suficiente, porque a movimentação depende de força contínua por muitas horas seguidas. O tempo exato é definido pelo ortodontista que acompanha o tratamento.

O que acontece se eu esquecer de usar os elásticos?

Um esquecimento pontual não costuma comprometer o tratamento. O problema é o uso irregular repetido: o dente começa a se mover, volta à posição anterior e o resultado fica próximo de zero. Na prática, isso costuma alongar o tratamento e adiar as etapas seguintes. Se você ficou dias sem usar, avise o consultório na próxima consulta.

Elásticos ortodônticos causam dor?

Nos primeiros dias é comum sentir os dentes sensíveis e a musculatura da mastigação cansada. Na maioria dos casos, o incômodo costuma ceder em poucos dias, à medida que o corpo se adapta. Se a dor for intensa, não passar ou vier com estalos e travamento ao abrir a boca, procure o ortodontista antes da próxima manutenção.

Posso usar dois elásticos de cada lado para acelerar?

Não. Dobrar elásticos ou trocar por um modelo mais forte por conta própria não acelera a correção e pode gerar efeitos indesejados, como inclinação exagerada de dentes e sobrecarga da articulação da mandíbula. A força, o tamanho e o ponto de fixação fazem parte do planejamento.

Quem usa alinhadores transparentes também precisa de elásticos?

Em parte dos casos, sim. Com alinhadores, os elásticos se prendem em botões colados no dente ou em recortes na própria placa. Eles são usados junto com o alinhador, e não no lugar dele: as horas de uso da placa continuam valendo. No consultório do Dr. Ricardo Campedelli, no Gonzaga, em Santos, a indicação vem do exame clínico e do plano de cada paciente.

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