Mordida aberta é a falta de contato entre os dentes de cima e os de baixo quando a boca se fecha. Na forma mais conhecida, a anterior, os dentes do fundo encostam, mas sobra um vão entre os incisivos, e cortar um pedaço de pão com os dentes da frente vira tarefa difícil. A dúvida sobre mordida aberta tratamento chega ao consultório sempre do mesmo jeito: dá para fechar esse vão e a partir de que idade. Existe tratamento em praticamente todas as idades, e o caminho depende muito mais da causa do que da idade do paciente.
Boa parte das mordidas abertas nasce de forças repetidas e de baixa intensidade que agem por anos: sucção de dedo ou de chupeta, língua posicionada entre os dentes ao engolir e ao falar, respiração predominantemente pela boca. Enquanto essa causa continua ativa, qualquer fechamento obtido pelo aparelho tende a se perder depois. Por isso o plano costuma ter duas frentes que caminham juntas: corrigir a posição dos dentes e neutralizar o que abriu a mordida. O ortodontista avalia cada caso antes de indicar a conduta: duas mordidas abertas parecidas em foto podem ter origens diferentes.
O que caracteriza uma mordida aberta
A mordida aberta é um tipo de má oclusão vertical. Em vez de os dentes superiores recobrirem levemente os inferiores, existe um espaço livre entre as arcadas com a boca fechada. Alguns sinais ajudam a levantar a suspeita:
- Dificuldade para cortar alimentos com os dentes da frente, o que leva a usar as mãos ou os dentes do fundo.
- Vão visível entre as arcadas ao fechar a boca, mesmo com os molares em contato.
- Língua que aparece no espaço entre os dentes ao engolir, ao falar ou em repouso.
- Lábios que só se juntam com esforço, com sensação de boca seca ao acordar.
Tipos mais comuns
- Anterior: o vão está na região dos incisivos e caninos. Costuma ser a apresentação mais frequente.
- Dentária: a inclinação e a altura dos dentes estão alteradas, mas a relação entre os ossos da face é aceitável.
- Esquelética: envolve o padrão de crescimento vertical da face, com rotação da mandíbula para baixo e para trás.
Existe ainda a mordida aberta posterior, com falta de contato em pré-molares ou molares. A distinção pesa no plano: casos dentários costumam responder bem à movimentação ortodôntica, e os esqueléticos tendem a exigir planejamento mais amplo.
Causas: hábitos, língua e respiração
Nenhum dente se move sem força. Na mordida aberta, a força costuma ser leve, mas atua muitas horas por dia. Em geral é a duração, e não a intensidade, que produz o efeito.
- Sucção de dedo, chupeta ou mamadeira prolongada: o objeto ocupa o espaço entre os incisivos e impede que eles se aproximem, enquanto a musculatura da bochecha estreita a arcada superior.
- Deglutição atípica: ao engolir, a língua empurra os dentes da frente em vez de se apoiar no céu da boca. Uma pessoa engole centenas de vezes por dia, então o empurrão se acumula.
- Postura de língua baixa ou interposta: mesmo em repouso, a língua entre as arcadas basta para manter o vão.
- Respiração pela boca: obstruções nasais persistentes, como rinite alérgica, adenoide ou amígdalas aumentadas e desvio de septo, costumam mudar a posição da língua e da mandíbula, e influenciam o crescimento do palato.
- Padrão de crescimento facial: há um componente hereditário no formato dos ossos da face, e o rosto de padrão vertical tende a favorecer a mordida aberta.
Nos adultos, entram ainda causas adquiridas: perda de dentes sem reposição, restaurações e coroas com contatos mal ajustados, desgaste acumulado e alterações na articulação da mandíbula que mudam a posição de fechamento. Sono agitado, ronco e boca seca merecem investigação junto com a mordida.
Consequências que costumam aparecer com o tempo
O incômodo estético é o motivo mais citado na primeira consulta, mas raramente é o único. Sem contato na frente, a mastigação recai sobre poucos dentes.
- Mastigação ineficiente: alimentos fibrosos costumam exigir mais tempo e mais esforço.
- Sobrecarga e desgaste: os molares trabalham por todos, achatam mais rápido e podem ficar sensíveis.
- Fala alterada: a língua ocupa o espaço aberto e alguns sons podem sair distorcidos.
- Tensão muscular e DTM: a musculatura se esforça para compensar a falta de encaixe, o que em parte dos casos vira dor perto do ouvido, estalos e dor de cabeça.
Nem toda pessoa desenvolve todos esses quadros. Ainda assim, a condição merece acompanhamento, porque esmalte perdido não se recompõe sozinho.
Mordida aberta tratamento em crianças
Na infância existe uma vantagem clara: os ossos ainda estão em crescimento e costumam responder melhor a estímulos. Em parte dos casos ligados a hábitos, a interrupção precoce da sucção já permite alguma correção espontânea, sobretudo antes da troca dos dentes da frente.
O acompanhamento costuma envolver mais de uma frente ao mesmo tempo:
- Remoção da causa: conversa com a família, estratégias de conscientização e, quando indicado, aparelhos móveis com grade ou esporões que lembram a língua e desestimulam a sucção.
- Avaliação otorrinolaringológica: tratar a obstrução nasal costuma ser decisivo quando existe respiração bucal.
- Terapia miofuncional: o trabalho fonoaudiológico ajuda a reeducar a deglutição, a postura de língua e a fala.
- Ortodontia interceptativa: expansão do palato quando há estreitamento associado e controle do crescimento vertical, conforme a indicação de cada caso.
Vale a avaliação por volta dos sete anos, ou antes se o hábito já for evidente. Quanto mais cedo a causa é neutralizada, mais simples tende a ser a etapa seguinte.
Mordida aberta tratamento em adultos
No adulto o crescimento já terminou, então a estratégia muda: o fechamento passa a ser obtido por movimentação dentária. Entre as abordagens consideradas estão:
- Alinhadores transparentes: placas removíveis planejadas digitalmente, incluindo o tratamento com Invisalign. Elas recobrem as faces de mordida dos dentes posteriores, o que costuma favorecer o controle vertical em casos de leves a moderados. O texto sobre alinhadores transparentes explica melhor como esse formato funciona.
- Aparelho fixo com mecânica específica: segue sendo uma opção sólida, sobretudo quando a correção pede controle fino de raízes.
- Miniparafusos de ancoragem: apoio adicional para intruir dentes posteriores em casos selecionados, o que ajuda a girar a mandíbula no sentido do fechamento.
- Terapia miofuncional associada: em adultos com deglutição atípica, reeducar a língua costuma ser parte do plano.
- Abordagem conjunta: em mordidas abertas esqueléticas acentuadas, o planejamento pode envolver cirurgia ortognática, avaliada com o cirurgião.
O texto sobre Invisalign para adultos mostra como o tratamento se encaixa na rotina de trabalho e de vida social. A escolha entre um formato e outro nasce do diagnóstico, e não da preferência estética.
Avaliação, plano e estabilidade
A consulta começa por uma conversa sobre hábitos atuais e passados, qualidade do sono, respiração e sintomas na mandíbula. Vem então o exame clínico, atento aos contatos entre as arcadas, à posição da língua em repouso e ao padrão facial. Quando indicado, a documentação ortodôntica completa o quadro com fotografias, escaneamento das arcadas, radiografia panorâmica e telerradiografia. Esse conjunto ajuda a separar uma mordida aberta dentária de uma esquelética, distinção que orienta o restante do plano. As etapas de um tratamento do início ao fim estão descritas no texto sobre como funciona o tratamento ortodôntico.
Há um detalhe que merece atenção especial nessa má oclusão: a estabilidade. Mordidas abertas estão entre as correções com maior tendência à recidiva quando a causa funcional continua presente. Fechar o vão sem reeducar a língua e sem resolver a obstrução nasal costuma ser trabalho pela metade. Por isso a contenção costuma fazer parte do plano de forma prolongada.
Onde buscar avaliação em Santos
Se você reconheceu sua mordida, ou a do seu filho, neste texto, o passo mais útil é uma avaliação presencial, sem esperar o desgaste avançar.
O Dr. Ricardo Campedelli, ortodontista com CRO-SP 20177, formado pela Universidade de Uberaba, reúne mais de 40 anos de experiência em ortodontia e mais de 100 certificados em cursos e especializações. O atendimento é exclusivamente particular, sem convênios, e recebe pacientes do Gonzaga, do Embaré, da Ponta da Praia e das cidades vizinhas.
Para examinar sua mordida e conversar sobre as possibilidades do seu caso, agende uma avaliação na Av. Ana Costa 493, no Gonzaga, em Santos. Fale com o consultório pelo WhatsApp e escolha o horário que melhor se encaixa na sua agenda.