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RC Dr. Ricardo CampedelliOrtodontista · CRO-SP 20177

Mordida cruzada posterior: o que causa e como afeta a arcada

Por Dr. Ricardo Campedelli, CRO-SP 20177 · · 6 min de leitura

Mordida cruzada posterior é quando os dentes de trás da arcada superior encaixam por dentro dos dentes de baixo, em vez de por fora, geralmente em apenas um dos lados. Está associada, com frequência, a uma arcada superior mais estreita do que deveria, e costuma gerar desgaste assimétrico, concentrado no lado em que a mordida está invertida.

O Dr. Ricardo Campedelli (CRO-SP 20177), ortodontista com mais de 40 anos de experiência clínica, explica neste texto por que a mordida cruzada posterior acontece, a relação com a arcada estreita, o efeito sobre o desgaste dos dentes e a mastigação, e quando vale buscar avaliação.

O que é mordida cruzada posterior

Na mordida considerada dentro do padrão, os dentes de cima ficam levemente para fora dos dentes de baixo na região posterior (os dentes de trás, usados principalmente para triturar o alimento). Na mordida cruzada posterior, essa relação se inverte: um ou mais dentes de cima passam a fechar por dentro dos dentes de baixo correspondentes.

Esse quadro pode ser unilateral, afetando só um lado da arcada, ou bilateral, afetando os dois. A forma unilateral é mais comum e costuma vir acompanhada de um desvio da mandíbula para o lado afetado no momento de fechar a boca, o que muda a distribuição de força durante a mastigação.

Relação com a arcada superior estreita

Uma das causas mais frequentes da mordida cruzada posterior é a arcada superior mais estreita do que a inferior. Quando isso acontece, os dentes de cima não têm espaço lateral suficiente para se posicionar por fora dos de baixo, e a mordida se inverte para compensar.

Essa estreiteza pode ter origem genética, estar associada à respiração pela boca ou a hábitos de sucção prolongada, e costuma ser identificada ainda na infância, período em que o expansor palatino é uma das ferramentas mais usadas para corrigir a proporção entre as arcadas, como descrito no texto sobre expansor palatino. Quando o crescimento já terminou, as opções mudam, e os limites da correção em adultos são tratados no texto sobre arcada estreita no adulto.

Por que ela costuma gerar desgaste assimétrico

Quando a mordida cruzada afeta só um lado, a mastigação tende a se concentrar naquele mesmo lado, seja por conforto, seja porque o encaixe ali parece mais estável para o paciente. Essa concentração de uso, mordida após mordida, ao longo de anos, tende a gerar desgaste mais acentuado nos dentes desse lado, em comparação com o lado que participa menos da mastigação.

Esse padrão assimétrico também pode se refletir na musculatura da face e na articulação da mandíbula, que passam a trabalhar de forma desigual entre os dois lados. Por isso, a avaliação de uma mordida cruzada posterior de longa data costuma incluir também o exame da musculatura e da articulação, não apenas dos dentes.

Mastigação de um lado só: causa ou consequência

Uma dúvida comum é se a pessoa mastiga de um lado só porque tem mordida cruzada, ou se desenvolveu a mordida cruzada por mastigar sempre do mesmo lado. Na prática, os dois caminhos acontecem, e muitas vezes se reforçam. Um desvio inicial na mordida leva a mastigar mais de um lado, e mastigar mais daquele lado, por anos, tende a acentuar o desvio inicial.

Esse é um dos motivos pelos quais a correção da mordida cruzada não busca apenas alinhar os dentes visualmente, mas reorganizar o encaixe entre as arcadas para que a força da mastigação volte a se distribuir de forma mais equilibrada entre os dois lados.

Vale notar que nem sempre a preferência por um lado é consciente. Muitas pessoas descobrem, só na consulta, que mastigam quase sempre do mesmo lado, porque o hábito se instalou de forma gradual e passou a parecer natural. Perguntar diretamente sobre esse padrão faz parte do exame clínico, junto com a observação direta do movimento da mandíbula durante a mastigação.

Mordida cruzada em crianças e em adultos

Em crianças, a mordida cruzada posterior costuma ser identificada em consultas de rotina ou por observação dos pais, e o tratamento se beneficia do crescimento ainda em curso. Quanto mais cedo o quadro é corrigido, menor tende a ser o efeito acumulado sobre o crescimento da face e sobre o desgaste dos dentes.

Em adultos, a mordida cruzada posterior pode ser corrigida com movimentação ortodôntica dos dentes, dentro dos limites que o osso permite, e em alguns casos o planejamento avalia estratégias combinadas. O primeiro passo é sempre entender se a causa é dentária, esquelética ou uma combinação das duas, o que fica mais claro no exame descrito no texto sobre como funciona a avaliação ortodôntica.

O papel da respiração e da postura de língua

A respiração predominantemente pela boca costuma vir acompanhada de uma postura de língua mais baixa, apoiada no assoalho da boca em vez de encostada no céu da boca. Essa mudança de postura reduz o estímulo natural que a língua exerce sobre o crescimento lateral da arcada superior, o que pode favorecer o estreitamento da arcada e, por consequência, a mordida cruzada posterior.

Por esse motivo, quando a mordida cruzada aparece associada a respiração pela boca, a avaliação costuma considerar também esse padrão respiratório, porque tratar apenas a posição dos dentes sem revisar a causa funcional tende a reduzir a estabilidade do resultado a longo prazo.

Sinais que ajudam a identificar o quadro

Alguns sinais costumam acompanhar a mordida cruzada posterior:

  • Preferência clara por mastigar de um único lado da boca.
  • Desgaste visivelmente maior nos dentes de um lado em comparação com o outro.
  • Queixo ou mandíbula que parecem desviados para um lado ao sorrir.
  • Face com leve assimetria entre os dois lados, percebida em fotos.
  • Arcada superior estreita, com dentes de cima próximos uns dos outros.
  • Desconforto ou cansaço muscular concentrado em um lado do rosto.

Nenhum sinal isolado confirma o diagnóstico, mas eles ajudam a levantar a suspeita antes do exame clínico.

Quando procurar avaliação

Vale procurar avaliação quando um lado da mordida parece encaixar de forma diferente do outro, quando há preferência clara por mastigar de um único lado, quando existe assimetria perceptível no rosto ou no queixo, ou quando o desgaste dos dentes é visivelmente maior de um lado. Em crianças, a avaliação precoce amplia as opções de tratamento, porque parte da correção pode se apoiar no crescimento ainda em curso.

O exame inclui a análise da mordida em repouso e em movimento, fotos, modelos das arcadas e, quando necessário, radiografias que ajudam a diferenciar a origem dentária da esquelética.

Se você percebe um desvio na mordida, desgaste desigual entre os lados ou mastiga sempre do mesmo lado, vale agendar uma avaliação com o Dr. Ricardo Campedelli, no consultório do Gonzaga, em Santos. O contato pode ser feito pela página de contato do consultório.

Dúvidas

Perguntas frequentes

O que é mordida cruzada posterior?

É quando os dentes de trás da arcada superior encaixam por dentro dos dentes de baixo, em vez de por fora, geralmente em apenas um dos lados. Está associada com frequência a uma arcada superior mais estreita do que a inferior.

Mordida cruzada posterior causa assimetria no rosto?

Pode contribuir, principalmente quando a mordida cruzada é unilateral e a mandíbula se desvia para aquele lado ao fechar a boca. Com o tempo, esse padrão pode se refletir em leve assimetria facial, mais perceptível em fotos do que no dia a dia.

Por que o desgaste dos dentes fica maior de um lado só?

Quando a mordida cruzada afeta um lado, a mastigação tende a se concentrar ali, o que aumenta o uso e o desgaste daquele lado ao longo dos anos, em comparação com o lado que participa menos da mastigação. Esse padrão costuma ficar mais evidente com o passar do tempo.

Criança com mordida cruzada precisa de expansor?

Em vários casos, sim, principalmente quando a causa é uma arcada superior estreita. O expansor palatino é uma das ferramentas usadas nessa fase, mas a indicação depende da avaliação individual de cada criança e da idade em que o quadro é identificado.

Adulto ainda consegue corrigir mordida cruzada posterior?

Sim, mas dentro dos limites que o osso já formado permite. Em adultos, a correção costuma depender mais da movimentação dos dentes, e em alguns casos o planejamento avalia estratégias combinadas conforme a origem e o tamanho do quadro identificado.

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