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RC Dr. Ricardo CampedelliOrtodontista · CRO-SP 20177

Mordida profunda: consequências e como corrigir

Escrito e revisado por Dr. Ricardo Campedelli, CRO-SP 20177

Mordida profunda é o nome do excesso de sobreposição vertical entre as arcadas: ao fechar a boca, os dentes de cima cobrem os de baixo muito além do esperado. Em uma mordida considerada dentro da normalidade, os incisivos superiores escondem algo em torno de um terço da altura dos inferiores. Quando essa cobertura aumenta, a ponto de os dentes de baixo quase sumirem no sorriso ou de encostarem na gengiva atrás dos superiores, o quadro costuma ser descrito como sobremordida profunda. É uma das más oclusões mais frequentes no consultório e costuma ter correção possível, tanto em adolescentes quanto em adultos, conforme o que o exame clínico mostrar.

Vale separar dois conceitos que costumam ser confundidos. A sobremordida mede o quanto os dentes superiores cobrem os inferiores no sentido vertical. A sobressaliência mede a distância horizontal entre eles, aquilo que o paciente descreve como "dentes projetados para a frente". As duas alterações podem aparecer juntas ou isoladas, e a diferença não é detalhe técnico: corrigir profundidade exige movimentos diferentes dos usados para reduzir projeção. Por isso o ortodontista avalia as duas medidas no exame clínico e na documentação antes de propor qualquer conduta.

Como identificar uma mordida profunda

Muita gente convive com a sobremordida sem nunca ter ouvido o nome, porque o encaixe parece normal desde a adolescência. Alguns sinais ajudam a levantar a suspeita:

  • Ao fechar a boca, os dentes de baixo da frente praticamente desaparecem atrás dos de cima.
  • No sorriso, aparecem quase só os dentes superiores, mesmo em sorriso amplo.
  • As bordas dos incisivos inferiores tocam a gengiva do céu da boca, atrás dos dentes superiores.
  • Existe desgaste concentrado na parte de trás dos dentes da frente de cima.
  • Os incisivos inferiores apresentam bordas achatadas, trincas ou sensibilidade.

Nenhum item fecha diagnóstico sozinho. Eles servem de alerta para procurar avaliação clínica, que é onde a profundidade da mordida é medida e a origem do problema é identificada.

Por que a mordida profunda se forma

A causa raramente é única. Na maioria dos casos, existe uma combinação de fatores herdados e adquiridos, e cada um deles pesa de forma diferente no plano de tratamento.

  • Padrão de crescimento facial: faces com direção de crescimento mais horizontal, com ângulo da mandíbula mais fechado, tendem à sobremordida.
  • Posição da mandíbula: quando ela fica recuada em relação à maxila, os dentes da frente costumam se encaixar de forma mais profunda.
  • Inclinação dos incisivos: dentes da frente muito verticalizados ou virados para dentro aprofundam o contato.
  • Curva de compensação acentuada: quando os dentes de baixo formam uma curva pronunciada da frente para o fundo, a mordida fecha demais.
  • Perda de dentes posteriores: sem apoio no fundo, a mordida "afunda" e a altura entre as arcadas diminui.
  • Desgaste acumulado: bruxismo e atrito ao longo dos anos reduzem a altura dos dentes e aprofundam a sobreposição.

A mordida profunda não costuma se resolver sozinha na vida adulta, e tende a se acentuar quando há desgaste em curso.

Consequências de conviver com a mordida profunda

O incômodo estético é o motivo mais citado na primeira consulta, mas dificilmente é o único. Uma sobremordida acentuada concentra força nos dentes da frente, que não foram feitos para essa carga, e a sobrecarga costuma se manifestar aos poucos.

  • Desgaste dos dentes anteriores: as faces internas dos superiores e as bordas dos inferiores costumam achatar mais rápido, com perda progressiva de esmalte.
  • Trauma na gengiva do palato: quando os incisivos de baixo tocam o céu da boca, pode surgir inflamação e recuo da gengiva na região.
  • Retração gengival nos dentes de baixo: o contato fora de eixo favorece exposição de raiz e sensibilidade.
  • Sobrecarga muscular e articular: a mordida muito travada limita movimentos da mandíbula e pode contribuir para quadros de DTM, com dor perto do ouvido, estalos e dores de cabeça.
  • Dificuldade para reabilitar: falta de espaço vertical complica a colocação de coroas, facetas ou prótese sobre implante.

Nem toda pessoa desenvolve todos esses quadros, e alguns casos permanecem estáveis por muito tempo. Ainda assim, a condição merece acompanhamento, porque o esmalte perdido não se recompõe sozinho.

O ciclo entre desgaste, bruxismo e profundidade

Existe uma relação de mão dupla que costuma passar despercebida. Uma mordida profunda concentra atrito nos dentes da frente. O atrito reduz a altura das coroas. Com dentes mais baixos, a mordida fecha um pouco mais, e o contato fica ainda mais profundo. Em pessoas que apertam ou rangem os dentes, esse ciclo tende a andar mais rápido. Por isso a avaliação costuma incluir perguntas sobre sono, apertamento e dor ao acordar. No blog do consultório há textos específicos sobre bruxismo e sobre a relação entre DTM e ortodontia, que se conectam diretamente com este assunto.

Como o ortodontista avalia o caso

A consulta começa por uma conversa: há quanto tempo a pessoa percebe a mordida fechada, se sente dor, se aperta os dentes, se já usou aparelho antes. Depois vem o exame clínico, com medida da sobreposição em milímetros, análise dos contatos, avaliação do desgaste e da saúde gengival.

Quando indicado, a documentação ortodôntica completa o quadro: fotografias, escaneamento ou modelos das arcadas, radiografia panorâmica e telerradiografia. A telerradiografia ajuda a entender se a profundidade tem origem principalmente dentária, ligada à posição dos incisivos, ou esquelética, ligada à proporção entre os ossos da face. Essa distinção orienta todo o restante do plano. Para acompanhar as etapas de um tratamento do início ao fim, vale ler o texto sobre como funciona o tratamento ortodôntico.

Caminhos de correção da mordida profunda

Corrigir sobremordida significa, em termos práticos, recuperar altura entre as arcadas. Isso costuma ser feito de três formas, isoladas ou combinadas: intruindo os dentes da frente, extruindo os dentes do fundo ou alterando a inclinação dos incisivos. O plano depende do padrão facial, da idade, da altura das coroas e do sorriso de cada pessoa.

  1. Aparelho fixo: permite nivelar a curva dos dentes inferiores e controlar com precisão a posição das raízes, recurso útil em casos mais acentuados.
  2. Alinhadores transparentes: placas removíveis planejadas digitalmente, entre elas o tratamento com Invisalign, que permitem programar intrusão e nivelamento passo a passo, com apoio de attachments quando necessário.
  3. Plataformas e blocos de mordida: recursos que desencaixam a mordida profunda e permitem que os dentes posteriores se acomodem em nova altura.
  4. Miniparafusos de ancoragem: usados quando é preciso intruir dentes da frente de forma mais previsível, reduzindo efeitos indesejados nos dentes vizinhos.
  5. Abordagem conjunta: em diferenças esqueléticas marcadas, o plano pode envolver cirurgia ortognática; havendo perda de dentes posteriores, a reabilitação com prótese sobre implante entra na sequência.

A escolha do formato nasce do diagnóstico, e não da preferência estética isolada. Se essa é a sua dúvida, o texto que compara Invisalign ou aparelho fixo detalha o que costuma pesar em cada situação.

Depois da correção: estabilidade e contenção

A mordida profunda tem tendência conhecida à recidiva, porque a musculatura e o padrão de fechamento levam tempo para se adaptar à nova altura. Encerrada a fase ativa, a contenção passa a fazer parte do plano de forma prolongada, com acompanhamento periódico. Em pacientes que apertam os dentes, o controle do bruxismo costuma ser tratado em paralelo, já que o desgaste é um dos fatores capazes de aprofundar a mordida de novo.

Nos primeiros meses, é comum a mordida parecer estranha ao fechar. Essa sensação tende a se ajustar com refinamentos nos pontos de contato. O tempo total varia caso a caso, e o ortodontista reavalia a estimativa ao longo do acompanhamento.

Avaliação presencial no Gonzaga, em Santos

Se você reconheceu sua mordida em algum ponto deste texto, o passo mais útil é uma avaliação presencial, sem esperar o desgaste avançar ou a dor virar rotina.

O Dr. Ricardo Campedelli, ortodontista com CRO-SP 20177, formado pela Universidade de Uberaba, reúne mais de 40 anos de experiência em ortodontia e mais de 100 certificados em cursos e especializações. O atendimento é exclusivamente particular, sem convênios, e recebe pacientes adultos e adolescentes de Santos e da região, incluindo São Vicente, Guarujá e Praia Grande.

Para medir sua sobremordida com atenção e conversar sobre as possibilidades adequadas ao seu caso, agende uma avaliação na Av. Ana Costa 493, no Gonzaga, em Santos. Fale com o consultório pelo WhatsApp e escolha o horário que melhor se encaixa na sua agenda.

Dúvidas

Perguntas frequentes

O que é considerado mordida profunda?

Mordida profunda é o excesso de sobreposição vertical entre as arcadas. Em uma mordida dentro da normalidade, os incisivos superiores cobrem algo em torno de um terço da altura dos inferiores. Quando essa cobertura aumenta bastante, a ponto de os dentes de baixo quase sumirem no sorriso ou tocarem a gengiva do palato, o quadro costuma ser descrito como sobremordida profunda. A medida é feita em milímetros no exame clínico.

Mordida profunda é a mesma coisa que dentes projetados para a frente?

Não. A sobremordida mede o quanto os dentes de cima cobrem os de baixo no sentido vertical. A projeção para a frente é a sobressaliência, uma medida horizontal. As duas alterações podem aparecer juntas ou isoladas, e cada uma exige movimentos diferentes no tratamento. Por isso o ortodontista avalia as duas antes de definir o plano.

Mordida profunda pode causar desgaste nos dentes?

Costuma contribuir. A sobreposição acentuada concentra força nos dentes da frente, que não foram feitos para essa carga. Com o tempo, é comum aparecer desgaste nas faces internas dos superiores e nas bordas dos inferiores, além de trincas e sensibilidade. Em quem aperta ou range os dentes, esse processo tende a andar mais rápido, e o desgaste pode aprofundar ainda mais a mordida.

Dá para corrigir mordida profunda com alinhadores transparentes?

Em parte dos casos, sim. Os alinhadores transparentes, entre eles o tratamento com Invisalign, permitem programar digitalmente a intrusão dos dentes da frente e o nivelamento das arcadas, com apoio de attachments quando necessário. Em situações mais acentuadas, o aparelho fixo, os miniparafusos de ancoragem ou uma abordagem conjunta podem ser mais indicados. A definição vem do exame clínico e da documentação ortodôntica.

Mordida profunda em adulto tem tratamento?

Sim, e é uma queixa frequente no consultório. O que muda com a idade é a estratégia, já que o adulto não conta mais com o crescimento dos ossos da face. Nessa fase, o plano costuma combinar movimentação dentária, nivelamento da arcada inferior e recursos de ancoragem. Quando a diferença é esquelética marcada, a avaliação pode envolver outras especialidades.

A mordida profunda pode voltar depois do tratamento?

Existe tendência conhecida à recidiva, porque a musculatura e o padrão de fechamento levam tempo para se adaptar à nova altura entre as arcadas. Por isso a contenção faz parte do plano de forma prolongada, com acompanhamento periódico. Em pacientes que apertam os dentes, o controle do bruxismo costuma ser conduzido em paralelo.

Avalie o seu caso com quem trata mordidas há mais de 40 anos

A avaliação presencial é o que define o que é possível no seu caso. Consultório no Gonzaga, em Santos, com atendimento particular.

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