A orientação mais difundida na ortodontia é que a idade da primeira consulta ao ortodontista da criança fique por volta dos 6 ou 7 anos, mesmo que ela ainda tenha vários dentes de leite na boca. Nessa fase costumam irromper os primeiros molares permanentes e os incisivos da frente, e é a partir deles que o profissional consegue enxergar como as arcadas se encaixam, se existe espaço previsto para os dentes que ainda vão nascer e se o crescimento dos ossos da face segue um padrão equilibrado. Não é preciso esperar a troca completa da dentição para procurar uma avaliação.
A segunda parte da resposta é igualmente importante: essa primeira consulta é de avaliação, não de instalação de aparelho. Na maioria dos casos, a criança sai com um plano de acompanhamento e retornos periódicos, e nada mais. Só parte dos pacientes precisa de intervenção nessa idade, quando existe uma alteração concreta que tende a se agravar. A seguir, o Dr. Ricardo Campedelli explica quais sinais pedem uma visita antes dos 6 anos, o que é examinado na consulta e como funciona o acompanhamento até a adolescência.
Por que a avaliação costuma acontecer entre os 6 e os 7 anos
Entre os 6 e os 7 anos começa a chamada dentição mista: dentes de leite e dentes permanentes convivem na mesma boca. É o momento em que o ortodontista já reúne informação suficiente para um diagnóstico, sem que o quadro esteja consolidado.
- Os primeiros molares permanentes já nasceram: eles servem de referência para avaliar a relação entre a arcada de cima e a de baixo.
- Os incisivos começam a ser trocados: apinhamento, dentes girados e mordidas alteradas ficam visíveis logo nos dentes da frente.
- Os ossos da face ainda estão em crescimento: em parte dos casos, isso permite orientar o desenvolvimento, e não apenas corrigir o resultado depois.
- Hábitos ainda podem ser interrompidos: chupeta, mamadeira, sucção de dedo e respiração pela boca costumam deixar marcas na mordida, e quanto antes são tratados, menor tende a ser o efeito acumulado.
Vale repetir: consulta cedo não significa aparelho cedo, significa diagnóstico cedo.
Sinais que pedem uma consulta antes dessa idade
Alguns sinais não esperam o calendário. Quando os pais percebem qualquer um dos pontos abaixo, a avaliação costuma ser antecipada:
- Mordida cruzada: os dentes de cima mordem por dentro dos de baixo, de um lado ou dos dois. Tende a ser uma das alterações em que a avaliação precoce faz mais diferença.
- Mordida aberta: os dentes da frente não se tocam quando a criança fecha a boca, situação com frequência associada a chupeta ou sucção de dedo.
- Mordida profunda: os dentes de cima cobrem quase por completo os de baixo.
- Desvio do queixo ao fechar a boca ou assimetria evidente no rosto.
- Respiração pela boca, ronco frequente e sono agitado: podem se relacionar ao crescimento da face e merecem investigação, muitas vezes em conjunto com o pediatra e o otorrinolaringologista.
- Dificuldade para mastigar ou falar, dor ao abrir a boca, estalos na articulação.
- Perda precoce de dentes de leite, por cárie ou trauma, o que pode reduzir o espaço reservado ao dente permanente que viria depois.
- Ranger os dentes durante o sono (bruxismo), com desgaste visível nas pontas dos dentes.
Nenhum desses sinais fecha um diagnóstico sozinho. Eles indicam que vale a pena olhar, de preferência com um profissional habituado a atender crianças. Se você está começando a busca, a página sobre o atendimento ortodôntico em Santos explica como funciona o primeiro contato no consultório.
Primeira consulta ao ortodontista: o que é avaliado na criança
A consulta inicial é de diagnóstico e combina conversa com exame clínico. Em linhas gerais, o ortodontista avalia:
- Histórico da criança: idade em que trocou os primeiros dentes, hábitos de sucção, alergias respiratórias, quedas e traumas, tratamentos anteriores e as queixas percebidas em casa.
- Estágio da dentição: quantos dentes de leite restam, quais permanentes já irromperam e se a sequência de troca está dentro do esperado para a idade.
- Espaço nas arcadas: se há espaço previsto para os dentes que ainda vão nascer ou risco de apinhamento mais adiante.
- Relação entre as arcadas: como os dentes de cima e os de baixo se encaixam com a boca fechada e durante o movimento, o que revela mordida cruzada, aberta, profunda ou dentes muito projetados para a frente.
- Articulação e musculatura: abertura de boca, estalos, dor na região da articulação, tensão muscular e sinais de bruxismo.
- Respiração, língua e freios: posição da língua em repouso e ao engolir, selamento dos lábios, freio labial e freio lingual.
- Saúde bucal geral: cáries, condição da gengiva e higiene. Movimentar dentes com cárie ativa ou gengiva inflamada não é indicado, então essa etapa vem antes de qualquer aparelho.
- Documentação ortodôntica: quando necessário, radiografias, fotografias e modelos ou escaneamento digital das arcadas, que permitem medir o que o exame visual não alcança, como dentes ainda dentro do osso.
É comum que a documentação seja solicitada na primeira consulta e discutida em um segundo encontro, já com o plano em mãos. A explicação é feita para os pais, mas também para a criança, em linguagem que ela entenda.
Nem toda criança sai da consulta com aparelho
Depois de reunir esses dados, o ortodontista costuma chegar a uma de três conclusões:
- Acompanhar: a mordida está dentro do esperado e a troca dentária segue seu curso. Marcam-se retornos periódicos para observar o crescimento. É um desfecho comum nessa idade.
- Intervir agora: existe uma alteração que tende a piorar, como mordida cruzada, hábito de sucção persistente ou falta de espaço evidente. Nesses casos, costuma-se recorrer a recursos de curta duração, como aparelhos móveis, mantenedores de espaço ou expansores, com objetivo definido e prazo limitado.
- Tratar mais adiante: a alteração existe, mas o momento adequado é depois, quando mais dentes permanentes tiverem irrompido. Antecipar tende a alongar o tempo total em aparelho sem benefício correspondente.
A escolha entre agir agora ou esperar é individual e depende do tipo de alteração, do estágio de crescimento e da colaboração possível naquela idade.
Como funciona o acompanhamento até a adolescência
Quando a decisão é acompanhar, os retornos costumam acontecer em intervalos de alguns meses, definidos pelo ortodontista. Em cada consulta, verificam-se a erupção dos dentes, o espaço nas arcadas, a mordida e a manutenção ou não dos hábitos. Esse acompanhamento tem uma vantagem prática: quando chega a hora de tratar, a criança já está habituada ao consultório, o que costuma reduzir a ansiedade.
A fase seguinte costuma começar quando a maior parte dos dentes permanentes já irrompeu. Aí entram as opções tradicionais de ortodontia, do aparelho fixo aos alinhadores transparentes, incluindo sistemas como o Invisalign, da Align Technology, indicados a partir de determinado estágio da dentição. A comparação entre os dois caminhos está detalhada na página sobre alinhadores ou aparelho fixo, e os textos sobre tratamento em adolescentes e adultos estão reunidos no blog do consultório.
Como preparar a criança para a primeira consulta
Algumas medidas simples ajudam a consulta a render:
- Escolha um horário em que a criança esteja descansada, longe da hora do sono e da fome.
- Evite palavras que assustam. Explique que o dentista vai contar os dentes e ver como a mordida está, sem antecipar procedimentos.
- Leve exames e radiografias anteriores, se houver, e o histórico de tratamentos já realizados.
- Anote as dúvidas antes. Perguntas sobre hábitos, ronco, fala e desgaste dos dentes costumam ser mais úteis do que parecem.
- Deixe a criança responder ao que ela consegue responder. Muita informação sobre dor, estalo e desconforto vem dela.
Avaliação presencial no Gonzaga, em Santos
Com mais de 40 anos de prática em ortodontia, formação pela Universidade de Uberaba e mais de 100 certificados em cursos e especializações, o Dr. Ricardo Campedelli (CRO-SP 20177) atende no consultório do Gonzaga, na Av. Ana Costa 493, em Santos, e recebe pacientes do Boqueirão, Ponta da Praia, Embaré, Aparecida, São Vicente, Guarujá e Praia Grande. O atendimento é exclusivamente particular, sem convênios.
Se o seu filho ou a sua filha está na faixa dos 6 aos 7 anos, ou se você notou mordida cruzada, respiração pela boca, ronco ou queda precoce de dentes de leite, o passo seguinte é uma avaliação presencial. Para agendar e conversar sobre o caso, acesse a página de contato do consultório.