A sensibilidade é a queixa mais comum entre quem faz clareamento dental e, na maioria dos casos, é passageira: aparece como um desconforto rápido ao frio durante o protocolo e tende a diminuir nos dias seguintes ao fim das aplicações. Ela tem explicação fisiológica e pode ser reduzida com ajustes simples no protocolo.
Ainda assim, é uma das dúvidas que mais aparece na consulta do Dr. Ricardo Campedelli, CRO-SP 20177, sobretudo entre pacientes que já sentem os dentes sensíveis antes mesmo de começar. Este texto explica por que a sensibilidade acontece, o que ajuda a preveni-la e como ela costuma se comportar em quem está em tratamento ortodôntico.
Por que o clareamento causa sensibilidade
O gel clareador atravessa o esmalte e chega até a dentina, a camada logo abaixo, que tem pequenos canais ligados aos nervos do dente. Durante esse processo, o dente pode ficar temporariamente mais poroso e reagir a estímulos de frio, ar e até ao toque da escova. Essa reação costuma diminuir de forma natural depois que o esmalte se reidrata, nos dias seguintes ao fim do protocolo.
A intensidade varia bastante entre pessoas. Quem já tem esmalte mais fino, retração de gengiva, desgaste dentário ou trincas prévias tende a sentir mais desconforto do que quem tem o esmalte íntegro.
Como a dentina reage ao estímulo durante o clareamento
A dentina é formada por uma rede de canais microscópicos, chamados túbulos dentinários, que ligam a superfície do dente ao tecido nervoso no interior dele. Quando o gel clareador age sobre o esmalte, uma parte desse efeito chega até esses túbulos, o que pode gerar uma resposta rápida a estímulos como frio, ar e até o toque. Essa é a explicação mais aceita para o desconforto passageiro relatado por boa parte dos pacientes.
Depois do fim do protocolo, o esmalte e a dentina tendem a se reidratar e os túbulos voltam a ficar menos expostos, o que explica por que a sensibilidade costuma diminuir de forma espontânea nos dias seguintes.
Fatores que aumentam o risco de sensibilidade
- Concentração do gel clareador e tempo de contato com o dente.
- Retração gengival, que deixa a raiz mais exposta.
- Desgaste do esmalte por bruxismo ou escovação com força excessiva.
- Trincas no esmalte, mesmo pequenas e sem sintoma prévio.
- Sensibilidade dentária já existente antes do clareamento.
- Sessões muito próximas umas das outras, sem tempo de recuperação.
- Exposição frequente a bebidas ou alimentos ácidos, que já deixam o esmalte mais poroso.
- Uso de creme dental abrasivo, que pode acentuar o desgaste da superfície do dente.
Por isso, a avaliação antes de começar qualquer protocolo inclui perguntar sobre sensibilidade prévia e examinar a gengiva e o esmalte, não só a cor dos dentes. O tipo de protocolo escolhido também influencia esse risco, como mostra o texto sobre tipos de clareamento dental.
Como o protocolo pode ser ajustado para prevenir o desconforto
Existem várias formas de reduzir a chance de sensibilidade sem abrir mão do clareamento. O profissional pode espaçar as sessões, reduzir o tempo de exposição ao gel a cada aplicação, escolher uma concentração mais branda ou indicar um creme dental com agente dessensibilizante nos dias que antecedem e sucedem o protocolo. Em alguns casos, um gel ou verniz dessensibilizante é aplicado antes da sessão de consultório.
Manter a rotina de higiene sem exagerar na força da escovação também ajuda, já que escovar com pressão excessiva contribui para o desgaste do esmalte e para a retração gengival ao longo do tempo.
Entre os recursos mais usados para reduzir a sensibilidade estão os cremes dentais e géis com nitrato de potássio ou fluoreto, que ajudam a bloquear a resposta dos túbulos dentinários ao estímulo externo. Alguns protocolos também preveem um intervalo maior entre as sessões, dando tempo para o dente se recuperar antes da aplicação seguinte.
O que fazer quando a sensibilidade aparece
Se o desconforto surgir durante o protocolo, o primeiro passo é avisar o profissional responsável, e não interromper o tratamento por conta própria nem aumentar o tempo de uso do gel na tentativa de acelerar o resultado. Evitar bebidas e alimentos muito gelados ou muito quentes nos dias de aplicação também costuma ajudar, assim como usar o creme dental dessensibilizante indicado de forma consistente, não só quando a dor aparece.
Quando a sensibilidade é persistente, desproporcional ao protocolo ou vem acompanhada de dor latejante, o quadro pode não ser sensibilidade comum de clareamento, e sim outro problema, como uma cárie ou uma trinca mais profunda, que precisa de avaliação específica.
Registrar quando a sensibilidade aparece, se logo após a aplicação ou horas depois, e quanto tempo ela dura, ajuda o profissional a ajustar o protocolo com mais precisão na consulta seguinte. Esse tipo de informação costuma ser mais útil do que tentar descrever a intensidade da dor apenas de memória.
Sensibilidade em quem está em tratamento ortodôntico
Quem está em tratamento com alinhadores e pensa em clarear os dentes no meio do processo tem um fator a mais para considerar: os attachments, pequenos apoios de resina colados ao esmalte, e a própria movimentação dental, que já gera um desconforto leve nos primeiros dias de cada alinhador novo. Juntar as duas sensações pode dificultar identificar a origem do incômodo. O texto sobre clareamento durante o tratamento com Invisalign explica como esse momento costuma ser planejado.
Para quem usa aparelho fixo, a atenção é um pouco diferente, já que o clareamento quase sempre acontece depois da remoção dos braquetes, quando a sensibilidade não se mistura com o desconforto da movimentação.
Vale avisar o ortodontista sempre que a sensibilidade parecer mais forte do que a esperada para aquela fase do tratamento, já que isso ajuda a diferenciar o desconforto comum da movimentação de um sintoma relacionado ao clareamento. Anotar em qual dente o incômodo é mais forte também ajuda, porque nem sempre a sensibilidade se distribui de forma igual pela boca durante o tratamento ortodôntico.
Quando procurar avaliação
Vale procurar avaliação antes de iniciar um clareamento se você já sente os dentes sensíveis no dia a dia, tem histórico de retração gengival, bruxismo ou trincas no esmalte, ou está em tratamento ortodôntico e não sabe qual é o momento mais indicado para começar. Também vale buscar orientação se a sensibilidade durante um protocolo já iniciado for intensa, não melhorar entre as sessões ou vier acompanhada de dor espontânea.
A sensibilidade tem causa e solução na maioria dos casos, mas o protocolo indicado depende de exame clínico individual. No consultório do Gonzaga, em Santos, o Dr. Ricardo Campedelli avalia o esmalte, a gengiva e o histórico de sensibilidade antes de indicar qualquer protocolo de clareamento, isolado ou associado ao tratamento ortodôntico. Agende uma avaliação pela página de contato do consultório.