Zumbido no ouvido tem sido associado, em parte da literatura científica, a disfunções da articulação temporomandibular, mas a relação de causa não está totalmente estabelecida. Quando o zumbido aparece junto com dor na mandíbula, estalos ou tensão muscular na face, vale incluir a avaliação da ATM na investigação, sempre ao lado de um exame otorrinolaringológico.
O zumbido é uma queixa investigada há muito tempo pela medicina, e a possível relação com a articulação da mandíbula é apenas uma das linhas estudadas entre várias causas conhecidas. O Dr. Ricardo Campedelli (CRO-SP 20177), ortodontista com mais de 40 anos de atuação, explica por que essa associação é discutida, o que a evidência atual sustenta e o que ainda precisa de mais pesquisa, além de quando vale considerar a ATM na investigação de um zumbido.
O que é o zumbido no ouvido
Zumbido é a percepção de um som, como um chiado, apito ou zunido, sem que exista uma fonte sonora externa. Ele pode ter origem em diversas condições, incluindo alterações na audição, exposição a ruído, problemas vasculares, uso de certos medicamentos e, em parte dos casos, fatores musculoesqueléticos da região da cabeça e do pescoço. A investigação do zumbido é sempre multidisciplinar, e o otorrinolaringologista costuma ser o primeiro profissional consultado.
A intensidade e a frequência do zumbido variam bastante entre pacientes. Algumas pessoas percebem o som apenas em ambientes muito silenciosos, à noite, enquanto outras convivem com ele ao longo de todo o dia. Essa variação individual também entra na avaliação, porque ajuda a entender o quanto o sintoma interfere na rotina de cada paciente.
Por que a ATM entra na investigação do zumbido
A proximidade anatômica entre a articulação temporomandibular e o ouvido é o principal argumento por trás dessa linha de investigação. Estruturas musculares e ligamentares próximas ao ouvido médio têm conexões com músculos da mastigação, o que levou pesquisadores a estudar se a disfunção temporomandibular poderia influenciar a percepção do zumbido em alguns pacientes.
Além disso, pacientes com DTM relatam zumbido com uma frequência maior do que a população em geral em determinados estudos, o que reforça a hipótese de associação, sem no entanto provar que uma condição causa a outra.
O que a evidência sustenta, e o que ainda não
A literatura científica reconhece que existe uma associação estatística entre sinais de DTM e relato de zumbido em parte dos pacientes estudados. O que ainda não está bem estabelecido é o mecanismo exato dessa relação, e também o quanto tratar a DTM melhora o zumbido de forma consistente entre diferentes pessoas. Os resultados variam de estudo para estudo, e a resposta ao tratamento da ATM nem sempre traz melhora do zumbido.
Por isso, a abordagem responsável não promete resolução do zumbido a partir do tratamento da mandíbula. O que se propõe é investigar a ATM como um fator possível, dentro de um quadro que pode ter outras causas relevantes e que precisam ser descartadas antes.
Fatores que podem intensificar a percepção do zumbido
Mesmo quando a ATM tem alguma participação no quadro, o zumbido raramente depende de um único fator isolado. Estresse, ansiedade, privação de sono, consumo excessivo de cafeína e exposição a ambientes muito silenciosos, que aumentam a percepção de sons internos, costumam intensificar a forma como o zumbido é sentido no dia a dia.
Esses fatores não são a causa do zumbido, mas influenciam sua intensidade percebida, e por isso costumam entrar na conversa durante a avaliação, independentemente de a ATM estar envolvida ou não no quadro.
Sinais que sugerem, sem confirmar, relação com a ATM
Alguns sinais aumentam a probabilidade de a ATM estar envolvida no zumbido, mas nenhum deles confirma isoladamente:
- O zumbido varia de intensidade conforme o movimento da mandíbula.
- Existe dor ou tensão na região da articulação, associada ao zumbido.
- Há histórico de bruxismo ou de apertamento dos dentes.
- O zumbido apareceu junto com outros sinais de DTM, como estalo ou travamento.
- A avaliação otorrinolaringológica não encontra uma causa auditiva clara.
O texto sobre dor no ouvido sem infecção descreve um fenômeno relacionado, a dor referida da ATM para a região do ouvido, que ajuda a entender por que essas duas estruturas se confundem com frequência nos relatos dos pacientes.
Zumbido pulsátil merece atenção à parte
Vale diferenciar o zumbido contínuo, tipo chiado ou apito constante, do zumbido pulsátil, que acompanha o ritmo dos batimentos cardíacos. O zumbido pulsátil tem investigação própria, geralmente ligada a questões vasculares, e não costuma ser associado à disfunção temporomandibular da mesma forma que o zumbido contínuo.
Reconhecer esse detalhe ajuda a direcionar a investigação com mais precisão desde o início, evitando que o paciente passe por avaliações que não correspondem ao tipo de zumbido relatado. Descrever com clareza o som percebido, incluindo se ele acompanha o próprio pulso, é uma informação simples que faz diferença já na consulta inicial.
Como é conduzida a investigação conjunta
Diante de um zumbido, a avaliação inicial costuma ser médica, com o otorrinolaringologista investigando a audição e possíveis causas otológicas. Quando esse exame não encontra explicação suficiente, e existem sinais de DTM associados, entra a avaliação odontológica, que investiga a articulação, os músculos da mastigação e a mordida. O texto sobre sinais de DTM que pedem avaliação reúne os sinais que costumam anteceder esse tipo de investigação.
Em muitos casos, o acompanhamento é feito em conjunto entre os dois profissionais, cada um cuidando da parte do quadro que corresponde à sua área.
O que esperar do acompanhamento quando a ATM está envolvida
Quando a avaliação aponta participação da ATM no zumbido, o acompanhamento costuma ser gradual. A conduta inclui medidas como controle do bruxismo, uso de placa oclusal quando indicada, e ajustes de hábitos que sobrecarregam a musculatura da mastigação, sempre com reavaliação periódica de como o zumbido responde junto com os outros sinais de DTM.
É importante que o paciente entenda, desde o início, que a melhora do zumbido não é uma resposta garantida do tratamento da ATM, mesmo quando os demais sinais de disfunção melhoram de forma evidente. Em alguns pacientes, o zumbido acompanha a evolução da DTM, e em outros, segue um curso próprio, independente do tratamento da mandíbula, o que reforça a importância de manter o acompanhamento médico em paralelo.
Quando procurar avaliação
Vale considerar avaliação da ATM quando o zumbido vem acompanhado de dor na mandíbula, estalos, tensão muscular no rosto ou histórico de bruxismo, especialmente depois de uma avaliação otorrinolaringológica que não trouxe explicação completa para o sintoma. Zumbido súbito, associado a perda de audição repentina, tontura intensa ou zumbido só de um lado, pede avaliação médica prioritária.
Se você tem zumbido e também sinais na mandíbula, como dor, estalo ou tensão muscular, o consultório do Dr. Ricardo Campedelli, no Gonzaga, em Santos, pode contribuir com a avaliação da articulação temporomandibular, sempre em conjunto com o acompanhamento médico. O atendimento é particular e recebe pacientes de Santos e da Baixada Santista. Agende pela página de contato.